sábado, 28 de abril de 2018

Pode acontecer de eu ter dúvidas sobre minha incorporação?


A resposta à questão que entitula o texto é: com certeza! É perfeitamente normal haver dúvida sobre o processo de incorporação mediúnica em um atendimento espiritual realizado na Umbanda. Acredite: se você passa por isso em dados momentos, não está só em seus questionamentos.

Conforme sabemos, a Umbanda passa por transformações (assim como tudo o que faz parte da existência), de modo que a mediunidade inconsciente, frequentemente vista no passado, não é a mais recorrente nos dias de hoje. Há um motivo para isso?

Sim, há um motivo! No passado não havia a quantidade de estudo disponível que há hoje, assim como não havia o esclarecimento acerca da religião tal como há hoje. O estudo era escasso e tudo era excessivamente mistificado.

Hoje, entretanto, as pessoas podem se preparar e podem se esclarecer como os mais velhos não puderam. Os tempos mudam e as características de tudo também mudam, exatamente para acompanhar a evolução.

Hoje a mediunidade é mais consciente do que já foi. O médium está acompanhado de seu guia, mas nem sempre está alheio ao que ocorre no atendimento. Isso acontece para que este médium tenha também a oportunidade de aprender com o seu guia a respeito daquilo que é realizado.


Eu não posso querer ser um frasco vazio e esperar que o conteúdo brote em mim para ser transmitido a quem precisa. É de minha responsabilidade adquirir o conteúdo que julgo necessário, pois assim as informações que possuo serão mais facilmente comunicadas pelo guia espiritual que me acompanha.

Os tempos são outros. Não podemos mais colocar tudo na conta dos guias, tal como muitos já fizeram no passado. A espiritualidade não promoveria uma mudança como essa se não houvesse fundamento, portanto cabe-nos a compreensão para o bom exercício do que nos propomos a fazer. Teremos dúvida? Sim, afinal nunca saberemos tudo. O que precisamos fazer? Estudar!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vaidade e Umbanda não combinam!


Atualmente vemos uma série de trabalhadores que se disponibilizam ao trabalho espiritual realizado na Umbanda, parecendo, assim, caridosos. Por outro lado, parece também que ainda não compreenderam a mensagem que esta religião deseja transmitir: a humildade.

Humildade e vaidade são palavras que até rimam, mas os significados são completamente distintos. Portanto, onde cabe um não caberá o outro. Se a Umbanda preconiza a humildade e aceita a todos como iguais, então um não pode ter a pretensão de se destacar em relação aos demais, pois ferirá um princípio básico umbandista.

Conforme disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas, "ensinaremos a quem sabe menos e aprenderemos com quem sabe mais, a ninguém viraremos as costas" e, ainda, conforme ouvimos em um ponto cantado, "aqui não há distinção nem de raça e nem de cor, seja pobre ou seja rico é recebido com amor". Estas palavras tem a ver com igualdade, e só consegue compreender o que é igualdade quem sabe agir com humildade.

Mas então? Serão todos os trabalhadores umbandistas de fato humildes? Não me parece. Vemos por aí médiuns que gostam de afirmar o quanto são mais fortes do que outros, o quanto seus guias são melhores do que outros, o quanto suas entidades são mais procuradas que a dos outros, o quanto seu Orixá é mais poderoso do que o outro, o quanto é mais respeitado do que o outro...

Além disso, vemos também ogãs que gostam de pensar que são artistas ao tocarem o atabaque como se este intrumento dedicado ao ritual religioso fosse um instrumento de percussão em show de samba, e que as mulheres que estão no terreiro vão para pegar o telefone deles, para rolar um "contatinho" depois da gira.

Vamos voltar ao exemplo do Caboclo das Sete Encruzilhadas. A quem não conhece a história do surgimento da religião, um médium vidente observou em sua manifestação que este Caboclo trazia vestimentas clericais, e então o questinou. O Caboclo disse então que havia sido, em uma de suas encarnações, o Frei Gabriel Malagrida e por isso carregava aquela vestimenta.


Se fosse para receber um nome, entretanto, seria o de Caboclo das Sete Encruzilhadas, para fundar o culto da religião de Umbanda identificado com a figura do índio, simbolizando o povo nativo que havia sido massacrado pelos europeus que aqui chegaram. Aquele espírito precisava se apresentar como um índio? Não! Mas era um sinal de humildade de sua parte.

E o que dizer de todos os outros caboclos, que igualmente são tantos outros espíritos iluminados apresentando-se com nomes simples e linguagem simples para nos ajudar? E o que dizer de todos os pretos velhos???

Humildade, meus irmãos. Humildade. Quem prefere a vaidade deve procurar outros ambientes humanos, porque o terreiro de Umbanda não é para isso.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Características dos filhos de Oxum


Os filhos deste Orixá são carinhosos e sensíveis. São conhecidos por "chorões" ou outros apelidos  semelhantes, pelo fato de serem dramáticos e carinhosos, tal como uma mãe é com seus filhos.

Acolhedores e sempre dispostos a oferecer colo, costumam trazer também a beleza e a sensualidade das águas suaves. Se disponibilizam a compreender os problemas humanos, mas diferenciam rapidamente quem realmente precisa de ajuda de quem é aproveitador.

Trazem sempre a beleza consigo, não necessariamente no plano físico. São carismáticos e sedutores, amigos, amantes, cheios de esperança e de desejo, fiéis quando acreditam encontrar o verdadeiro amor e leais com os verdadeiros amigos.

Quanto preciso preocupar-me com guias e outros objetos?



Muitos médiuns de Umbanda desenvolvem preocupações excessivas com coisas que acabam sendo triviais. Um bom exemplo disso são as guias, como são chamados os colares confeccionados com os mais diversos materiais e que simbolizam um dos fundamentos da religião.

Isso acontece em especial com o médium iniciante, o qual, sem as devidas orientações de seu dirigente, começa a gastar tempo e energia buscando compreender qual o tipo de guia deve usar para agradar à entidade que o acompanha, ou ao seu Orixá.

Este médium passa a imaginar se deve usar em sua guia miçangas, sementes, fica em dúvida sobre a cor, se deve ser brilhante ou opaca, se deve comprar ou fazer com as próprias mãos, e assim por diante.

Precisamos levar em conta que o mais importante às entidades que trabalham conosco não é o tipo de material que usaremos ao redor do pescoço. O mais importante SOMOS NÓS! A nossa presença é fundamental, mas não somente a presença de corpo, enquanto a mente está no netflix, naquela série sensacional, no namorado ou na namorada, no facebook, etc.

Se nos propusermos a formar parte de uma corrente de trabalho espiritual, precisamos fazê-lo com integridade e deixar tudo o mais para depois. O que pertence ao mundo material, recuperaremos na saída do terreiro, assim que o trabalho terminar. Enquanto estivermos ali, entretanto, cabe-nos fazer valer a nossa presença, a nossa entrega à espiritualidade.

O tipo de guia a ser usado, assim como outros elementos, tais como fumo, pemba, etc, naturalmente serão intuídos ou orientados. O médium não deve perder energia preocupando-se com objetos; ao invés disso, convém direcionar esta energia mantendo o foco no que ele faz ali, para que o trabalho seja bem conduzido e para que não haja desgaste além do necessário.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Lembra-se da sua primeira gira? Qual foi a corrente de trabalho no dia?


A lembrança da primeira gira dificilmente sai da memória de quem um dia se propôs a visitar um terreiro de Umbanda, obedecendo a um chamado interior e ali encontrando o que buscava, mesmo sem saber exatamente o que encontrar.

Uma vez que proponho esta pergunta aos leitores (lembra-se de sua primeira gira?), então farei um breve relato de como as coisas aconteceram comigo. O ano era 2002 e eu já havia tomado contato, um atrás, com o espiritismo de Kardec. No entanto, algo em minha intimidade me convidava a conhecer a Umbanda, apesar de todos os preconceitos existentes acerca desta religião e que somos acostumados a ouvir, inclusive de pessoas próximas.

Falou mais alto em minha alma a vontade de conhecer um terreiro e de participar da gira, em detrimento de qualquer comentário pejorativo sobre o que era a minha vontade. Cheguei ao terreiro bem do jeito como descrevi no primeiro parágrafo: "sem saber exatamente o que encontrar". Era um dia de trabalho dos pretos velhos e então a reunião começou.

Acompanhei todo o ritual, os pontos cantados, as orações e vi os médiuns receberem os guias para darem início ao atendimento espiritual. Quando estava chegando a minha vez de me consultar, o coração mal cabia no peito de tanto que pulava, talvez uma mistura do que se experimenta ao lidar com o que é desconhecido (o que alguns chamam de medo) e de emoção por notar que ali era o meu lugar, mesmo que ainda não soubesse disso de forma racional.

Ao parar diante do preto velho, ele me olhou por um breve momento e fez uma pergunta que foi no fundo da minha alma. Eu não estava descrente, de modo algum, mas aquilo foi como um raio que caiu no lugar certo e me fez compreender toda a beleza e a importância do trabalho que era realizado ali.

Foi o bastante para me tornar Umbandista e amar incondicionalmente aos Guias e Orixás, que tanto fazem por nós sob a égide de Oxalá. Estas são palavras simples que desejam transmitir um pouco do sentimento de quem experimenta a Umbanda na alma e no coração. E você, se lembra de como tudo aconteceu?

terça-feira, 24 de abril de 2018

A "casinha" de Exu


A Casa de Forças de Exu não é uma casinha onde este amado e respeitado guardião está preso a um determinado “assentamento”. Trata-se de um espaço próximo à entrada do terreiro de Umbanda onde o Axé é “alimentado” para fortalecer a guarda ao terreiro e aos seus filhos de fé.

A Casa de Forças representa o ponto de segurança do terreiro, onde estão os elementos magísticos de ligação de Exu. Conforme é dito, sem Exu não há Umbanda, porque é através de suas forças que se busca a abertura de todos os caminhos na jornada da fé. Sem a segurança que Exu proporciona para que os trabalhos espirituais aconteçam harmoniosamente, a prática de nossa religião não seria possível tal como a conhecemos.


A Casa de Forças de Exu também funciona como uma espécie de “pára-raios” contra as demandas enviadas ao terreiro ou aos seus filhos de fé, seja por magos negros encarnados ou desencarnados. Valendo-se da ação de elementos empregados na ritualística de Umbanda, Exu não permite que forças negativas prejudiquem o que se realiza no espaço sagrado pelo qual está encarregado da defesa.

O Respeito no Terreiro


Faz-se desnecessário dizer o quanto o respeito é importante em qualquer tipo de relação humana, inclusive (ou principalmente) em um ambiente que tem por objetivo a prática religiosa. Afinal, as pessoas ali se reúnem não apenas por respeito umas às outras, mas por respeito ao que consideram sagrado.

Ocorre que precisamos tocar neste assunto com certa frequência em função de pessoas que não compreendem uma premissa básica, que é justamente a do respeito. Não adianta dizer que temos fé se não somos capazes de respeitar; assim como não adianta frequentarmos um terreiro se não formos capazes de ver um irmão nosso sob a mesma condição na qual estamos.

Há muitas pessoas que ainda não comprenderam a importância do comportamento com a mediunidade e com o trato pessoal em um terreiro de Umbanda, que é uma casa de oração. Quantas vezes vemos a vaidade passar à frente da humildade, quantas vezes vemos piadinhas de mau gosto diante de incorporações dos colegas de trabalho espiritual, quantas vezes vemos julgamentos a respeito de questões que os consulentes desejam tratar em seu atendimento espiritual?

O respeito deve ser dispensado não somente ao dirigente, pai/mãe de santo ou sacerdote, seja qual for o nome que a pessoa que se responsabiliza por uma casa prefira receber. O respeito não deve ser entendido como algo associado a uma relação de poder e medo, mas a uma troca de energia. É bom oferecer e receber de forma incondicional!

Não devemos respeitar somente a quem tememos ou a quem prestamos explicações de nossa conduta; precisamos respeitar a todos. Se não for assim, nos caberá compreender que estamos no lugar errado, afinal não faremos falta aos Guias e aos Orixás se não pudermos respeitar o local onde atuam!

Quem pretende destratar ou desmerecer o seu irmão não deve estar em uma casa oração. Há diversos outros ambientes disponíveis a este tipo de comportamento.